Festas julhinas

Prepare o seu coração/ pras coisas que eu vou contar/ eu venho lá do sertão/ eu venho lá do sertão/ eu venho lá do sertão/ e posso não lhe agradar (...)
Trecho da música "Disparada", de Geraldo Vandré.

Foi assim que a dança começou. Éramos nós em cima daquele palco representando o nordestino sofrido que passa tempões caminhando com uma trouxa no ombro e uma lata na cabeça. A recomendação dos professores para esta parte, repetida sem cansaço durante nossos ensaios, era que ficássemos o mais sério possível. Risadinha não condiz com a situação.

Mas, como eu já disse, seria só durante essa parte. O resto, no qual iríamos dançar efetivamente, tinha de ser alegre. Afinal, o que é uma dança sem ter a alegria? A nossa era logo a primeira a se apresentar, a chamada Dança de Abertura, que este ano respondia pelo nome "Forró Estilizado". E de fato era um forrozinho mesmo, bem a cara do Nordeste. E, pela primeira vez em todas as Aberturas de arraiá do meu colégio que eu já participei, apareceram meninos participando. Milagre.

A bem da verdade, lá na hora, estávamos mesmo doidos para entrar logo naquele bendito palco. E com razão: já estávamos há um bom tempo em posição na escada, começando a sentir calor e carregando aquelas peças de palha (ainda bem que não tinha nada dentro delas). Para mim, tinha uma coisa a mais, que era a questão do calçado. Fui avisada, quando já estava na concentração, por um dos meus colegas de dança que dançaríamos descalços! Olhei penalizada para os sapatinhos que eu estava usando, eles haviam sido meus fiéis companheiros na dança do ano anterior, que era sobre o Descobrimento do Brasil.

Já em posição, começei a pensar nos prós e contras de mandar chamar a minha mãe pelo microfone. Seria uma medida que daria um susto na mommy mas eu não confiava muito em deixar meus pertences nas mãos dos professores naquelas horas, depois eu conto o porquê. O jeito foi mesmo a última solução citada, até por insistência da coreógrafa. Deixei minha "coisinha de palha" com uma das colegas, tirei meu sapatinho e, quando fui entregá-lo para um responsável, senti um leve arranhão no meu braço... não sei o que havia lá que arranhou. Dei uma olhada, não vi nada, voltei para o meu lugar. Mas quando fui olhar de novo, lá estava o risco vermelho.

Ótimo, descalça e com um machucadinho no braço. Houve uma hora em que tivemos que mostrar nossa animação, e aí ficou difícil... Todo mundo pulando, e pisando na pedra eu não me sentia nem um pouco a vontade para fazer isso. Comigo foi no grito. Ainda bem que o palco não é feito de pedra, e lá pude ficar mais à vontade.

Graças a Deus, isso foi a única coisa ruim do dia. Lá em cima é tudo bom, inclusive pela satisfação de que a Dança de Abertura é sempre a melhor. Nos ensaios nós não tínhamos essa sensação, mas alí, na frente daquele povaréu, e comparando com os outros que virão, a história já é outra! De fato, fomos bastante aplaudidos no final.

Estar alí nunca é fácil, mesmo se tratando do Arraiá que o meu colégio promove todo ano no parque Potycabana. Se trata de um arraiá bem diferente dos outros que eu já vi, pois ainda não ouvi falar de outra instituição que prepare várias danças, cada uma com uma temática diferente, para serem apresentadas em cima de um palco. Claro que o tradicional não falta, há sim uma quadrilha maravilhosa -que nós por lá chamamos de "Quadrilhão"- e as barraquinhas de comidas típicas lá no fundo, separando a parte do parque que o colégio está usando da que não está sendo usada.

A Dança de Abertura e o Quadrilhão eram as únicas opções para as turmas da 5° série até o 3° ano. Eu não gosto de entrar no Quadrilhão por causa da questão do par, ter que convencer outra pessoa a entrar comigo é algo que considero trabalhoso. O hilário é que todos do Ensino Médio preferiram justo este, tanto que, na Abertura, todos eram do Ensino Fundamental -com exceção de mim, óbvio.

A temática "Nordeste" também é uma constante. Desde a minha 5° série, já dancei em duas aberturas que falam de sertão. E as outras, falavam do Brasil, em geral. Esses dois temas ficam se revezando nas aberturas, é a realidade. Tomei como referencial a 5° série pois já não me lembro claramente de todas que vieram antes. Eu participo desse arraiá desde o Ensino Infantil, acho até que desde quando eu entrei naquele colégio. Eu, inclusive, tenho ainda algumas parte da primeira roupa que usei para um arraiá desses. Era uma bem vermelhinha, com uma faixa e uma saia enormes.

Por conta desse arraiás, já tenho também uma roupa de cigana, uma de mãe-de-santo (só que azul-escuro), uma de mar (?!?!)... e essas são as do Ensino Infantil até a 4° série. Da quinta para a frente, tenho uma que... não sei como definir mais que é bem comprida e tem a temática "Brasil", um vestidinho vermelho de sertaneja alegre, uma de chefe da torcida brasileira (essa eu até aproveito para usar nos desfiles de 7 de setembro), uma de portuguesa viajante (a do ano passado) e, finalmente, a de forrozeira, que foi a que eu usei há dois dias atrás, no arraiá deste ano.

Pense numa roupa que demorou bastante para chegar em minhas mãos... Tirei as medidas para a costureira ainda no segundo ensaio, e me garantiram que receberia o resultado do esforço do estilista no dia do ensaio geral, que sempre é na véspera do grande dia. E a roupa? Nem sinal! Me disseram que eu deveria buscá-la no colégio às 10h do dia seguinte. Como eu não estava afim de voltar lá antes do dia 4 de agosto, meu pai poderia cuidar disso. E cuidou.

10 horas da manhã do dia 1° de julho de 2008. Adivinhem! De novo, nada! Disseram que iria chegar às duas da tarde. E chegou? Não apareceu nem um fiapo de linha sequer. Disseram então que iriam ligar para a gente quando a roupa aparecesse. Não acho que era culpa do colégio, aposto que o pessoal de lá também deveria estar doido com isso, até mais do que nós, que iríamos usar a roupa. Para espairecer, resolvi assistir o filme do ninja gordinho que passou na "Sessão da Tarde" daquele dia.

Sabem que nos filmes, quando há uma bomba, ela é desativada no último segundo, certo? Bem, eu já estava vestindo uma calça jeans com a perspectiva de que me trocaria só na hora quando... ela chegou, finalmente! Era uma blusinha e uma saia estampada, e de bônus uma flor amarela para prender no cabelo. Um docinho! Como a saia só ia até metade da coxa e na dança eu iria me mexer muito, usei um short curto por baixo para que na hora a calçinha não desse o ar da graça.

Pelo menos, os que participam do Quadrilhão não precisam andar com uma roupa só, confecçionada a mando do colégio, por poderem comprar roupas caipiras em qualquer lugar e a única exigência é que eles andem com roupas caipiras. Portanto, não precisam passar por esse tipo de suplício.


Bandeirolas coloridas no arraiá do meu colégio na Potycabana (o ocorrido no ano passado)


Óia eu aqui de novo, xaxando/ óia eu aqui de novo, para xaxar (...)
Trecho da música "Óia eu aqui de novo", de Luiz Gonzaga.

A idéia era que todas as meninas da dança fossem de cabelo solto e a flor de lado, mas o meu eu prendi e coloquei a coisa no alto da cabeça, mais ou menos no mesmo local de onde se partiria um rabo-de-cavalo alto. Mas não foi só eu que desafiou a "regra", encontrei até uma colega que usava quatro marias-chiquinhas, duas de cada lado da cabeça. E outra que não estava usando a flor.

Acho que foi o arraiá no qual eu cheguei mais cedo, tanto que deu tempo de eu e uma prima minha irmos nas barraquinhas e provarmos uns beijus com leite condensado. Minha prima? Ah, minha gente, desta vez eu tive a satisfação de levar mais alguém da minha família além das pessoas do círculo mais próximo. O chato da situação era ter de comer com extremo cuidado, pois eu tinha a permissão para sujar aquela roupa e de borrar a maquiagem só após dançar -regrinhas que invento para mim mesma.

O arraiá fora ótimo, como todos os anos. Meu colégio sabe como fazer essas coisas. Em um momento, até pensei em mandar um torpedo (havia uma barraca para mandar torpedinhos alí) para o noivo e para a noiva da festa, só para elogiar... pena é que, quando tive essa idéia, eu já estava no banco de um táxi, voltando para casa.

Mesmo lá sendo bom, só fiquei tempo suficiente de fazer o que eu tinha de fazer, comer mais alguma coisa, ver as duas ou três danças que vieram a seguir e receber alguns elogios. Eu nunca fico muito tempo: mamãe não quer que eu passe muito tempo fora à noite, e o jeito é acatar. Aquela festa deve ter varado a madrugada, é certo que as danças acabam antes da meia-noite mas, enquanto tiver gente, que a alegria continue. Isso é o que eu imagino, mas pode ser que eu esteja errada.

Depois de tal noite, fiquei até com certa pena ao tirar a roupa e desmanchar o penteado, já que mal deu tempo de eu me olhar no espelho antes de sair e não podia ficar muito tempo me exibindo na frente do mesmo após voltar. O corpo exigia uma roupa menos espalhafatosa e mais limpa, aquela dança me fez suar a valer. Sem falar do pobre do pé, estava preto de pó do chão o coitado. Ainda bem que essas coisas uma duchinha resolve.

O engraçado foi descobrir no mesmo dia as músicas que animaram a dança na qual eu participei. Eu ainda consegui tirar uma horinha para vir ao computador ver como andavam as coisas e passei no Google. A parte séria da dança, na qual representávamos o pobre povo nordestino, foi ao som de uma música de Geraldo Vandré, "Disparada", que eu inclusive agora ouço enquanto escrevo isto. Quando a parte alegre e animada da apresentação veio, a música foi trocada por uma instrumental, que de tanto estar no domínio público, eu não consegui saber seu nome. Mas essa música ainda daria lugar à "Óia eu aqui de novo", de Luiz Gonzaga e que eu nem sabia que foi ele quem fez.

Já está me dando certa saudade. Este é o meu penúltimo arraiá, quando falo de arraiás do meu colégio. É que no próximo ano farei o 3° ano e depois disso... vocês já sabem. Próximo ano será a despedida dessa minhas festas julhinas, já que elas são sempre marcadas para iniciozinho de julho, sempre. Mas para quê pensar nisso agora?

By JuLiAnA HeLeNa

Em balanço


Arranjei no blog http://cantodosgatos.blogspot.com. Corre, gatinho!

Meus caros, de vez em quando, as lojas fecham para fazerem um balanço: análise de como desempenharam seu papel durante certo período de tempo. Meu blog não é uma loja, embora seja como uma grande vitrine onde todos podem olhar o que mais lhe interessar. Mesmo não sendo uma loja, este cantinho também necessita fazer seus balanços. Não se preucupem, este balanço pode ser acompanhado de perto por quem quiser, é só chegar perto daqui da mesa. Afinal, vocês é quem realmente mandam.


Conselho redacional nº1: Escreva sempre frases curtas, que não ultrapassem duas ou três linhas, mas também não caia no oposto, escrevendo frases curtas demais. Seu texto pode ficar cansativo demais. Uma frase de boa extensão evita que você se perca. Seja objetivo.
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Em termos de comprimento, não acho que exagero no tamanho das frases. Meu problema neste caso são os parágrafos, pois olhei meus últimos posts e sei que em alguns eles alcançaram tamanhos exagerados. Porém, isso é porque, reconheço, falo demais. Tenho acessos de verborragia às vezes quando faço algo que exija uso de letras. E nem sempre tenho muito o que falar.

Conselho redacional n°2: Não escreva um texto "manchado", cheio de travessões, aspas, exclamações, interrogações...
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Nossa... nem sabia que isso era problema. Em trechos da maioria dos posts daqui, a "poluição visual" é presente, e olha que eu sempre fui afeiçoada com um ponto de esclamação alí, um travessão acolá... Mas talvez isso ocorra porque aqui é como se eu conversasse com o leitor, e, como tal, proucuro demonstrar estados de espírito através da pontuação, principalmente. Sem falar dos "hahaha"s e "hehehe"s que estão ficando muito recorrentes por aqui. Estes eu preciso cortar.

Conselho redacional n°3: Emprego exaustivo de gerúndio, além de constituir um recurso estilístico inadequado, o gerúndio promove ambigüidade e defeitos de conexão, caso não seja usado com propriedade.
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Calma aí! Aqui ninguém precisa fazer do jeito que fizeram no Distrito Federal, já que eu proucuro empregar o gerúndio da melhor maneira possível, sem exagerar. Até quando se fala, o gerúndio fica insuportável se repetido demais.

Conselho redacional n°4: Escreva com simplicidade. Não empregue palavras complicadas ou supostamente bonitas. Escrever bem não é escrever difícil. O vocabulário deve se adequar ao tipo de texto que pretendemos redigir. No nosso caso (os conselhos que vocês estão lendo foram retirados de um encarte de redação), só trabalhamos com a linguagem padrão, aquela que a norma culta exige quando queremos tratar de algum problema de grande interesse para leitores de um bom nível cultural. Dela deverão ser afastados erros gramaticais, ortográficos, termos chulos, gíria, que não condizem com a boa linguagem.
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Como já fora dito anteriormente, eu proucuro escrever como se estivesse conversando com o leitor, portanto, pra quê palavras complicadas? E apesar de, por este hábito, haver um certo grau de informalidade nos posts, sempre tomei cuidado com a minha escrita. Chega até a ser deprimente para mim errar alguma palavra... Pontuação? Proucuro ser mais impecável ainda. Sou uma pessoa que sente prazer em escrever, e não há nada mais prazeroso do que escrever bem.

Conselho redacional n°5: O emprego indiscriminado de adjetivos pode prejudicar as melhores idéias. Pra quê dizer "um vendaval catastrófico destruiu Itu" quando vendaval já trás implícita a idéia de catástrofe? Outro mau uso do adjetivo ocorre quando empregado imtempestivamente, como se o autor quisesse "embelezar" o texto. O que ele consegue, no mínimo, é confundir o leitor.
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Eu já falei que quando vem-me a verborragia, os parágrafos ficam um tanto longos e sem tanta necessidade. O resultado é que, definitivamente, sou uma escritora prolixa, e talvez, em algum recanto de minha publicações, eu tenha exagerado nos adjetivos. Apesar disso, eu pretendo não me prender muito à descrições -estas é que me exigem os muitos adjetivos- e assim melhorar a qualidade do que eu escrevo.

Conselho redacional n°6: Evite palavras, frases, expressões ou construções vulgares. A renovação da linguagem deve ser preucupação constante de quem escreve. Não há boa idéia que sobreviva nem texto cheio de lugares-comuns.
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Às vezes, um chavão sempre dá um jeitinho de aparecer, mas usá-los sempre é realmente inadimissível. Parece até que você não tem idéias próprias!  

Conselho redacional n°7: Entre duas palavras, escolha a mais simples. Por que dizer "auscultar" ao invés de "sondar"? "Obstância" e não "impecilho"? Evite também duas ou mais palavras quando uma é capaz de substituí-las.
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Este é até um conselho que, de certa forma, está inserido no n°4, o que fala sobre escrever com simplicidade. Se escolho sempre a mais simples, acho que não é toda vez que faço. Porém, eu constantemente proucuro utilizar sinônimos caso precise expressar mais de uma vez a mesma idéia no mesmo parágrafo, o que evita que eu cometa repetições.

Conselho redacional n°8: Não use "etc." sem nenhum critério. Trata-se da abreviatura da expressão latina "et cetera", que significa "e as demais coisas". Só devemos usá-la quando os termos que ela substitui são facilmente recuperáveis.
...
Não me lembro de quando fora a última vez que eu usei um "etc." num post, acho que não é muito meu costume. Mas valeu a dica.


Não dá para ser uma escritora perfeita, pois, se desse, também daria para tirar sempre 10 em Gramática e em Redação. Erros sempre existirão, mas quem escreve dará o melhor de si para ver seus textos ficarem o mais perfeitos possível. Talvez sejam os erros parte do que ajuda a definiar a marca própria de quem empunhou a caneta, ou alisou as letricas e numerozitos de um teclado de computador.

Digo parte, a construção da marca própria inclui muito mais coisas do que se pode imaginar.

Nem sempre respeito todas as regras ortográficas e gramaticais que os livros exigem que eu respeite, ora por criatividade, ora por ignorância. No entanto, isso não dá vontade de chutar longe este blog e deixá-lo. O que me dá é a crença de que farei melhor daqui a uma semana, quando um novo post será devidamente elaborado e publicado.

Reconheço que gasto horas preciosas ao escrever um único post -talvez porque, enquanto isso, eu também gaste tempo visitando os blogs amigos. O tempo dos texticos escritos em 5 minutos se foi há muito tempo. Quando termino, já estou cansada de tanto teclar e com os olhos saturados da tela brilhosa. Para completar, às vezes contemplo a obra e acho que não me saí bem. Gastei tempo num computador só para escrever "essa coisa aí"! Fazer o quê, se o artista nunca se contenta com sua obra, pois na cabeça dele ela é carregada de perfeição.

Perfeição esta que ele se vê incapaz de transmitir para a realidade.

Queria que o My Cat_blog tivesse sido melhor. Queria ter falado mais de gatos, já que a proposta é essa. Queria ter contado mais histórias. Queria ter postado coisas que eu queria postar mas que ainda não encontraram uma data vaga. Queria falar mais de política. Queria mostrar mais que sou, sim, uma pessoa preucupada com o mundo que me cerca e não apenas com o próximo episódio da Vila Sésamo. Queria ter escrito o que me vai na alma, desabafar para a blogosfera de vez em quando...

Queria ter feito um bocado de coisas por aqui, mas, apesar de acontecer tudo aquilo que eu disse que acontece quando termino um post, eu não me arrependo de nada que eu tenha escrito aqui. Absolutamente nada.

Não prevejo data de morte para este blog, e nem sequer de férias. Ora, como poderei ignorar um hobby? Eu gosto de falar do Garibaldo e da Ino Yamanaka. Eu gosto de colocar o meu gato Flynn estrelando algumas histórias. Eu gosto de contar trechos de minha trajetória no mundo, especialmente os mais interessantes. Eu gosto quando alguém chega aqui e comenta bacana. Eu gosto de responder quando comentam. Eu gosto inventar com letras. Eu gosto de fazer maluquices com palavras.

Não é a toa que, hoje, neste explêndido 29 de junho de 2008, me sinto alegre em constatar que o My Cat_blog acaba de completar 2 anos de alegrias e tristezas, de letras e desenhos, de uma magnífica existência.


Parabéns pra você /Nesta data querida /Muitas felicidades /Muitos anos de vida

Crescendo foi ganhando espaço /Pulou do meu braço /Nasceu outro dia e já quer ir pro chão /Já fala mãe, já fala pai /Já não suja na cama /Não quer mais chupeta /Já come feijão /E posso até ver os meus traços nos primeiros traços /Tropeça e seguro e não deixo cair /Se cai, levanta, continua (...)
Trecho da música "Cria", cantada por Maria Rita.

Logicamente, o My Cat_blog não vai se contentar em estar apenas 2 anos respirando na blogosfera. O artista é sempre insatisfeito, não? Então, que no próximo ano, complete 3, e depois 4, e mais depois 5, e indo até o máximo que este cantinho e eu agüentarmos. Se em 2 anos este blog já produziu pérolas até, como os posts "Entrevistando a Porca" e "O 'causo' da pêra", imagine nos anos que virão. Sabe-se lá qual serão as próximas idéias da senhorita de nome JuLiAnA HeLeNa, que é quem escreve aqui toda vez.

Então, meus caros, depois de tanto balanço de blog, cheguem mais perto e vamos partir logo esse blog. Ei, sem pressa! Todo mundo vai ter o seu!... Oh, minha gente, sem vocês eu acho que nem conseguiria fazer este blog alcançar 2 anos de idade... Ajuda aqui com o refrigerante, Flynn!...

By JuLiAnA HeLeNa

Bijou



Quatro fotos de um mesmo artefato indígena.

Não preciso refletir sobre estes meus ainda ralos 15 anos de vida que eu já gastei para perceber que o que eu mais tenho feito é escrever. E não foram apenas coisas que os professores colocavam no quadro, vocês sabem disso.

Vocês conhecem a história. Primeiro começou com as historinhas que eu fazia sem interrupção na minha era pimpolhesca, depois vieram os diários, os fanfics da Vila Sésamo e este blog. Talvez essa minha mania não esteja ligada exatamente ao manuseio de papel e caneta, pois antes mesmo de que transcrever um conto com letras eu o fazia com desenhos. O meu trunfo é apenas uma mente que não se cansa de ser criativa, e que usa a escrita como instrumento para extravazar-se e concretizar-se.

Não é a toa que escrever, seguido das cantorias, é tudo que eu mais amo na vida. Inclusive já pensei em publicar livros, e continuo pensando em publicar livros... Bem, no entanto não estou no momento mais adequado para isso. Quero primeiro terminar o Ensino Médio e só aí posso pensar em colocar um conjunto de folhas devidamente encapado nas prateleiras das livrarias.

Falando em livros, nessa semana apareceu-me uma idéia. Uma idéia boa para se publicar. É essa idéia que está me fazendo escrever isto agora. Quero guardá-la aqui com muito carinho e submetê-la ao julgamento dos que comentarem. Assim, quem sabe, quando eu já estiver na universidade cursando Jornalismo, eu comece a trabalhá-la melhor e levá-la às mãos de vocês.

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No processo de colonização do Brasil, várias tribos indígenas foram desrespeitadas e sufocadas até chegarem à extinção, tanto que naquela época o número de índios em território brasileiro era muitíssimo superior ao de hoje. Os gentios se foram, mas uma dessas tribos teria sido aniquilada enquanto realizava um certo ritual... O resultado foi que as conseqüências desse ritual atingiram de tal forma todos os que estavam lá na hora que a herança dessa tribo se faria presente até a infinitude dos tempos.

O ritual mexia com espíritos mágicos, os bijous, que possuiam poderes especiais e que podiam influenciar na vida de todos os seres. No dia da invasão, os poderes dos bijous se ligaram à determinadas pessoas, tanto nativos quanto invasores, e a partir daí, de vez em quando uma pessoa é ligada a um bijou, de preferência na infância, situação que permaneceria até os dias de hoje. O bijou ficaria marcado no indivíduo por meio de uma, digamos, "tatuagem" no pulso, que seria uma palavra escrita na língua de extinta tribo que caracterizasse o poder que o sujeito adquiriu através de seu bijou.

Certo, vocês acabaram de conhecer a parte básica do enredo. Um prólogo, digamos. Agora, a história se partirá, literalmente, em duas. Sabem aquelas promoções do tipo "Pague 1 e leve 2"? Pois se vocês um dia encontrarem essa história em algum livro escrito por mim, vai ser exatamente como se você tivesse levado para casa dois livros com a mesma temática. Bacana a idéia, não?

Os dois enredos só se encontrariam no início, através de seus personagens principais. Daí para a frente, ambos tomarão rumos distintos, tendo assim dois finais diferentes. E funcionaria assim: após o capítulo inicial, o ponto de partida, o segundo dará início a um dos enredos, o terceiro iniciaria o outro enredo, e por estas vias a história seguia, em capítulos intercalados. Ambos se passariam nos dias de hoje.

Querem conhecer as duas tramas?

Primeiro, pensemos numa moça meio aloirada, de olhos verdíssimos feito duas grandes esmeraldas, extrovertida, sarcástica mas de bom coração. Não seria nada incrível ela possuir essas características, a não ser que levemos em conta que ela cresceu sofrendo rejeição por causa de seu bijou. Sim, ela possui um bijou, e por causa dele ela possui o poder de controlar a mente de outras pessoas, se ela quiser, é claro. O nome dessa garota é Andrea, e quando precisa ela conta com Kimi, sua amiga de infância, a única que a aceitou do jeito que é desde o início.

Andrea é uma pessoa que sempre teve curiosidade acerca dos bijous, até porque é possuidora de um. Depois de muita pesquisa (e com a Kimi ajudando sempre), ela chegou até a um artefato usado nos rituais de consulta à bijous -inclusive foi usado naquele em que ocorreu a invasão da tribo. Esse artefato está seguro nas mãos da família Velartte, grande pesquisadora de preciosidades.

Até aí, tudo bem. O problema é que algumas pessoas que estavam ajudando Andrea na pesquisa na verdade queriam pegar o tal artefato e sumir com ele. Após descobrir o planinho dos "colegas", Andrea e Kimi cortam relações com eles, via uma acalorada discussão. Mesmo assim, os safados arquitetam um plano para se safarem com o objeto... e alguém na casa dos Velartte fica sabendo que tem alguém maquinando tal coisa, e esse alguém é Valério Kurosaki, segurança da casa.

Por causa de Valério, Andrea fica sabendo do plano dos "colegas" e ela e Kimi resolvem que, no dia do roubo, arrumarão um jeito de tirarem o artefato das mãos dos ladrões e devolvê-lo aos Velartte. Porém, algo dá terrivelmente errado e a dupla de amigas é obrigada a fugirem com a coisa e, pior, levarem Valério como refém. Acontece que este, devido aos acontecimentos, passa a pensar que Andrea é a ladra e lhe invade a caminhoneta com o intuito de rendê-la, só que ele leva uma dose de clorofórmio da Kimi e, desacordado, nem precisa contar o resto.

E esse é o suplício da Andrea: ter que proteger o artefato dos que querem roubá-lo e fugir da polícia (A propósito, a delegada responsável pelo caso esconde um certo segredo que logo adquirirá importância no enredo). Sem falar de outra coisa: durante a fuga, Andrea encontra uma certa tatuagem no pulso de Valério... Pois é, nosso querido segurança é um bijou que pode manipular luzes, usando-as inclusive para cercar um oponente. Com o tempo, ela vai conquistando a confiança e a estima do sujeito, só que a coisa chega a um ponto que acaba se desenvolvendo algo mais entre eles. E agora?

Vamos agora ao segundo enredo.

Pensem agora num moço de pele pálida, com cabelos e olhos num castanho escuro, contrastante. Apesar de notável beleza física, ele é arrogante, orgulhoso e tem uma certa mania de superioridade, e por isso as pessoas acabam se afastando dele. É uma pessoa comum, não possui nenhum tipo de bijou e nem apresenta poder algum. Ele se chama Pablo e mora sozinho num confortável apartamento.

Porém, por mais que nos achemos melhores do que os outros, nós não estamos imunes às tragédias da vida. Um exemplo de tragédia do tipo seria se um amigo da família, que tem como hobby consertar coisas, colocasse um recipiente quase destampado contendo soda cáustica em cima de uma frágil prateleira de madeira. Eis que esse amigo é justamente amigo do Pablo, e num infeliz dia o aspirante a assistente técnico chama o nosso egocêntrico personagem para tomar um chá e bater um papo.

Eis então que o sujeito pede ao Pablo para pegar uma ferramenta deixada numa prateleira lá no quintal de trás. Era muito alta, Pablo subiu num banquinho e mesmo assim tinha que ficar na ponta dos pés para alcançar o objeto. O que acontece a seguir é terrível: a prateleira perde a sustentação e tudo nela cai, inclusive o recipiente com a soda cáustica. Pablo logo sente uma coisa arder-lhe insuportavelmente nos olhos, acaba se desquilibrando do banquinho e bate a cabeça no chão.

Só um bom tempo depois é que Pablo é socorrido e levado a um hospital, já que o amigo consertava um objeto enquanto escutava música alta (desse jeito não dá para ouvir nada que venha de fora) e até achou outra ferramenta com a mesma função da que Pablo iria buscar. Bem, apesar de ter sido forte a pancada na cabeça, ela não foi nada grave. O problema é que a soda cáustica atingira em cheio os olhos do moço, e, principalmente devido à demora no atendimento, o diagnóstico é devastador: Pablo perdera a visão e nunca mais poderá tornar a enxergar.

É claro que Pablo não vai engolir bem o fato de que se tornara uma pessoa portadora de deficiência, e no meio desse momento difícil a prima dele, uma garota chamada Renata, decide levá-lo para morar com ela. Detalhe: Renata é era uma pessoa rejeitada e humilhada por Pablo a toda hora por ser uma bijou. Pois é, é aqui que os bijous entram neste enredo! Conhecendo os poderes que aquela tatuagenzinha dá à sua prima, Pablo literalmente suplica-lhe que ela dê um jeito de ele ganhar o bijou e, quem sabe assim, recuperar a visão.

Tanta implicância deu certo. Um amigo da Renata, que também é um bijou e tem um conhecimento elevado acerca desse tipo de coisa (assim como a Andrea do outro enredo), se prontifica a ajudar. Depois de muitos "Você tem certeza?", ele duplica o bijou de Renata e, numa sofrida operação, o insere em Pablo. Mas valeu a pena, pois no outro dia, Pablo tira a venda que cobria-lhe os olhos e percebe que eles estão perfeitos, como se nada tivesse acontecido.

Como se trata de um bijou, Pablo não só teve a visão de volta como ainda se tornou capaz de enxergar coisas que uma pessoa normal não poderia enxergar. Já pensou se você tivesse a capacidade de ver os pensamentos e sentimentos das outras pessoas? Pois foi isso o que aconteceu! Só que o bijou trouxe também um grande problema: o caso de Pablo vazou e agora tem uma equipe de jornalistas inescrupulosos de olho nele, doidos para desvendarem o "milagre". Agora Pablo e sua prima têm que fazer o possível para manterem o segredo do bijou apenas entre eles.

E não é só isso. Pablo conhecerá uma moça de nome Isabella, sendo que ela tem um grande problema -mas não sabe- e o garoto é quem vai ajudá-la. Qual é o problema? A minha mente criativa ainda não decidiu qual vai ser, mas terei tempo para isso.

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Pronto, aí está, para o deleite de vocês. Só recomendo que cuidem bem dessa história, afinal voltarei para buscá-la... esperem e verão.

By JuLiAnA HeLeNa  

Mil imagens


Meu gato Flynn, naturalmente, tinha que ajudar naquilo tudo, mesmo sem saber direito o que fazer. Porém -que frustrante- agora só teria que ficar olhando e esperando o momento chegar. Ficou sentado no meio da rua vendo um gato rajado, que estava com um recém-ganho semblante de azedume, se afastar.

- Ué?

- Você não viu? -dirigindo-se a outro bichano.

- Que é isso, Flynn? Pelo menos agora você só ficou com o melhor da história!... Oh... Pela primeira vez, uma transmissão televisiva feita com todo o carinho para gato assistir.

Grande hipérbole! O que aconteceria seria apenas a estréia de uma novela nova, uma televisão seria colocada no terreno da esquina e a gataria da rua poderia assistir ao primeiro capítulo. Na verdade, isso deveria ter acontecido na semana passada, quando terminara a novela anterior. O último capítulo de um folhetim sempre é mais interessante do que o primeiro, e isso não é novidade para nenhuma alma deste mundo.

- Que horas você acha que são? -quis saber o outro.

- Mas como é que eu vou saber? Só se eu for lá dentro conferir...

- Pois vai!

Flynn estava mesmo precisando de uma desculpa para sair alí do meio da rua. Em casa, meu gato sempre se sentiu melhor, especialmente naquela hora da noite, quando seu estômago precisava ser forrado novamente.

Da cozinha, deu para Flynn escutar um pouco do palavriado que saía do mimozinho que há poucos dias havia sido colocado na sala. Resolveram trocar a televisão que queimou logo por uma de plasma... Mas meu gato nem sabia disso, embora ele já tivesse reparado na enorme "caixa" que se encontrava no chão e encostada no sofá.

Quando começou a se ouvir o jingle "daquele jornal", Flynn resolveu sair de novo. Não havia melhor indicativo de hora do que aquele jingle tocando. Aliás... a hora! Minha nossa, aquele gato vai reclamar de tanta demora só para trazer uma simples informação... com certeza!

- Você é um lerdo, branquelim!

E reclamou mesmo.

Lá dentro de um certo terreno baldio murado...

- Então é essa a televisão? -perguntou um gato- Isso aí é miúdo demais!

- Mas você acha que gatos têm condição de trazer uma televisão maior? -a voz vinha de cima do muro- Só para trazer esta está dando um trabalho imenso!

- Ai, eu não vou agüentar! -outra voz vinda de cima do muro.

Um dos gatos da rua havia conseguido a tevê na casa vizinha do terreno, o que de certa forma foi até um fato que facilitou a ação. Porém, havia ainda um outro problema: o muro. Subir carregando aquela coisa já é uma tarefa digna de um super-herói, descer, então, era pior ainda. Se simplesmente encarregassem a força da gravidade de levar a televisão para baixo, certamente a coisa iria se espatifar bonito. E quem é que consegue assistir um programa se o que se tem são apenas o que um dia foi uma tevê?

- Alguém aí trouxe uma almofada? -gritaram de lá de cima.

Foi nessa hora que o Flynn entrou no terreno baldio.

- Vá buscar uma almofada ou qualquer coisa fofa, rápido! -assim que deu de cara com Flynn, um gato simplesmente disse isso e pôs o meu bichano para fora.

Que lindo! Mal entrou e já está fora novamente!

- Ei! Mas meus donos não me deixam entrar na sala! -gritou Flynn- Como é que eu vou fazer iss...

- Eu vou lá pegar. Sei aonde tem. -era um rajadinho que logo seguiu correndo para uma casa lá no fim da rua.

Outros gatos também saíram atrás de alguma coisa fofa. Flynn aproveitou para entrar -desta vez, com sucesso- no terreno e vislumbrou a situação. Uma tevê mais ou menos do tamanho de uma caixa de sapatos suspensa no alto de um muro de tijolos graças aos esforços insanos que uma dupla de gatos fazia. E parecia que tanto trabalho não seria suficiente por muito tempo: ou as almofadas chegavam logo ou tchau e benção.

E por sorte não tardaram! Logo apareceu até um gato que veio carregando um ursão de pelúcia.

- Vou soltar! -avisou um dos gatos que sustentavam a tevê- É já!

1, 2, 3... e no 4 já estava imersa no meio de tantas almofadas. Como um período de menos de um segundo pôde ser tão tenso? Imediatamente, ajeitaram a pequena, colocaram-na na velha tomada e torceram para a imagem pegar. Pegou. Pessimamente, mas pegou.

- Ouvi uma pessoa lá na parada de ônibus dizer que as televisões de há muito tempo atrás precisavam de bombril para pegar. -comentou alguém

"Coitadas... Bombril deve ralar bastante. Pias sofrem muito com isso, até onde eu saiba...", pensou Flynn enquanto, nada modesto, se ajeitou no urso de pelúcia.

Ainda estava passando "aquele jornal", mas já estava terminando. Nesse período, Flynn voltou para casa e se dirigiu à despensa -E eu querendo comer sardinhas no jantar... Flynn, você me paga...

- Quem quer? -Flynn já entrou gritando.

Claro que aquele gato branco com uma lata de sardinhas na pata queria fazer média, e aquela era situação perfeita. Ele só não contava que logo apareceu um bichaninho mirradinho trazendo um tijelão de pipocas. E gato come pipoca?

Pipoca com sardinha. E a novela nova já começava. Era a das oito, uma tal de "A Favorita". E já se desenvolvia entre os gatos uma cena comum entre os humanos: os olhinhos fixos na tela como se houvesse um hipnotizador alí. E o silêncio... os únicos que falavam eram os personagens da novela. 

Eram os únicos...

- Cadê o controle? -alguém gritou- Bota lá de novo!

Algum gato alí naquele terreno estava com a posse do controle remoto e inventou de mudar de canal. Pura curiosidade, apenas. Mas como a curiosidade, se não mata o gato, ao menos provoca-lhe danos, o engraçadinho só ganhou uma patada bem entre as orelhas.

Tudo tranqüilo? Ainda não...

- Aumenta a freqüência disso! -gritou um gato alaranjado lá atrás

Todos os gatos olharam para trás, num movimento que parecia até coreografado, e voltaram a olhar para a tela. No momento, passava a abertura da novela, e aquelas sombras e cores praticamente encantaram os gatos. E aquele tango! Até Flynn havia de concordar.

Quando começou a propaganda, de novo.

- Aumenta a freqüência!

De novo o movimento. Flynn apenas olhou os outros. A propaganda também encantava os felinos... a ponto de todos vaiarem uma que era de ração para cachorros. E depois que todos se acalmaram...

- Aumenta a freqüência dessa coisa! -de novo o alaranjado.

- Mas não tem como isso andar mais rápido! -acredite, foi o Flynn quem falou.

- Eu estou dizendo para aumentar a freqüência acústica!!!

- Aumentar o volume?

- É!

O alaranjado acabou pior do que o curioso. Muitas patadas depois, a novela voltou e o clima sem miaus também tomou conta. E ficou assim até a novela acabar.

Não houve consenso. Alguns gatos gostaram e outros não... alguns até pediram que a televisão voltasse no dia seguinte, mas não podia apostar-se muito nisso. No momento em que todos batiam palmas pelo o que acabaram de assistir, Flynn olhou para os lados e se viu na terra crua! Tinha se remexido tanto pelos fatos mostrados que o urso acabou ficando para trás! Incrível o efeito de uma novela.

- Me diga! O que achou? -um bichano abordou Flynn.

- Mais ou menos... Tem partes que é um pouco difícil de entender.

- Agora vai começar tudo de novo...

"Ahn?!", e Flynn só entendeu o que o outro queria dizer quando olhou para trás e viu os mesmos dois gatos do muro empurrando a televisão, agora desligada, em direção à face tijolada. A coisa não podia ficar alí a noite toda, esperando que alguém a encontre. Já pensou se chove...

Depois de tamanha sessão cinema, só restou ao Flynn voltar para casa, ficar de pernas para o ar e pensar em tudo que viu vindo daquele treco quadrado, a televisão. Ô, trequinho influente! Viu como os gatos ficaram? Se existem duas coisas que influenciam incrivelmente a massa, essas coisas atendem pelos nomes de televisão e computador, sendo que quem começou foi a essa primeira. Ela, a vulga caixa das mil imagens.

By JuLiAnA HeLeNa


P.S.: Leiam e comentem também o post abaixo, que ele ainda está quentinho, saído do forno.  

A bandinha

Pessoal, vocês acreditam que a Ino Yamanaka, a personagem de animê favorita deste blog, ganhou um presentaço neste último Dia dos Namorados? Pois é...

Eu estava dando uma volta no YouTube quando encontrei, dentre tantas veredas do site, o vídeo abaixo. Aqui temos uma banda de rock formada por Kiba Inuzuka na guitarra, Chouji Akimichi na bateria e, só podia ser, Shikamaru Nara no vocal. Dêem uma olhada.

Vocês acham que a Ino gostou dessa surpresinha?

By JuLiAnA HeLeNa

Decifrando flores


Imagem bem bacana da Ino Yamanaka. Espero que ainda se lembrem dela.  

Abriu os olhos após um descanso folgado no quintal de sua casa e, mesmo com suas pupilas ainda sonolentas, não pôde deixar escapar o detalhe da pequena flor num canto qualquer do jardim.

Flores invariavelmente faziam-no lembrar-se de Yamanaka Ino.

Uma vez ela lhe disse:

"Você, Shikamaru, se fosse uma flor, seria uma papoula! Sabe a flor do sono? Combina perfeitamente com um preguiçoso como você.". Ele assentiu, fazia algum sentido.

"Por outro lado, eu seria uma bela e sofisticada orquídea."

O que lhe pareceu um pouco estranho.

"Eu não sabia que orquídeas tinham espinhos..." Respondeu Shikamaru sem vestígios de ironia ou sarcasmo. Mesmo assim Ino não gostou e aplicou-lhe um sermão.

Em outra oportunidade haviam brigado nas vésperas do aniversário dele. Na verdade... ela havia brigado por algum motivo ao qual Shikamaru não havia prestado muita atenção e, mesmo que fosse um assunto sério, ele nunca guardaria rancores da Yamanaka. Guardar rancor dava muito trabalho...

Mas ao menos teve uma bela surpresa no dia de seus cumpleãnos. Ino lhe presenteou uma singela tulipa vermelha. Não tinha muita utilidade, mas vindo de uma florista, era algo de muito valor.

"Queria te dar uma papoula, mas achei que tulipas combinavam mais com a data. Você é um baka e apesar de não ter me pedido desculpas, eu te perdôo pelo incidente de ontem. E mais, feliz aniversário! Aposto que você não vai receber cumprimentos de uma garota mais bonita do que eu..." E por aí foi.

Ela desencadeou uma seqüência de frases que não pareciam fazer sentido. Shika deixou-a sentir-se à vontade. Não sabia ao certo se tinha se acostumado tanto a ponto de gostar e sentir falta daquela garota tagarela. Ela falava, falava e falava, ele não tinha paciência pros debates sem futuro... mas a vida era boa assim. E no dia do seu aniversário, tudo que não podia faltar era a sua amiga faladeira.

Mas havia algo mais... Conhecia Ino suficientemente bem pra saber quando ela se fazia de louca pra esconder alguma coisa importante. Sinal de que ele estava deixando passar alguma informação. Com preguiça de dar-se ao trabalho de uma análise profunda, conformou-se com a idéia de que aquela era a forma de Ino lhe pedir desculpas.

E no meio das lembranças que aquela florzinha do jardim lhe trouxe, não conseguiu recordar-se de uma só vez em que presenteou Ino com uma flor. Disse para si próprio que era porque dar flores para uma florista era algo sem nenhuma originalidade. Em seguida riu-se. Não era aquela a razão e enganar a si mesmo era tão bobo...

"Vai levar rosas pra Temari? Sua cara. Rosas são a primeira opção de quem não quer se esforçar. Sempre agradam. Mas se fosse comigo...teria de ser algo especial."

Ele nunca conseguiu descobrir qual era a flor certa para ela. Fazer algo especial dava muito trabalho também... e se dava trabalho, ele podia deixar pra fazer depois de amanhã.

Com Temari tinha sido tão simples. "Do jeito que rolar, rolou." Era o lema daqueles momentos. Mas agora, depois de tantas idas e vindas, eram flores e Ino que continuavam a se complementar. E flores continuavam a lembrá-lo dela.

E elas desempenhavam tão bem o seu papel, que uma simples visão era capaz de retirá-lo de sua inércia habitual e fazê-lo caminhar até a floricultura de Konoha.

Foi proucurar sua florista preferida só pra dizer um "E aí, como vai?".

Entrou como quem não quer nada na loja, apenas para receber a resposta da Sra. Yamanaka, informando que Ino estava de folga e havia saído com as amigas.

Decepcionante.

Pra que todo aquele esforço não significasse apenas um desperdício do tempo em que ele poderia estar dormindo, tentou enveredar uma pequena investigação.

"Ino deve saber tudo sobre flores, né? Vai tocar muito bem os negócios da família..."

"Ah, sim, minha filha é ótima nisso! Por exemplo, ela sabe o significado de cada um dos espécimes que temos aqui."

Olhou ao redor, eram inúmeros tipos de flores, Ino devia se esforçar bastante. Quanto a ele, ao menos podia se gabar de alguma coisa...

"Ah, eu sei o significado de uma... Tulipas vermelhas, são para reconciliação, certo?" Disse triunfalmente.

"Hum... Não. Não foi Ino que te disse uma coisa dessas, não é? Tulipas vermelhas são uma forma incontestável de declaração de amor."

E Deus disse: faça-se a luz e a luz se fez.

"Não pode ser..." Como ele havia sido cego por tanto tempo? Cego nada... acomodado, uma papoula preguiçosa que não se deu ao trabalho de interpretar corretamente uma leva de sinais. Não era ele o gênio e ela a louca? Mas pra quê servia um QI acima de 200 se por pura covardia fora incapaz de compreender o plano bem elaborado de Ino? Ela teria de dizer com todas as letras ou desenhar para ele poder entender?

Flores... eram perfeitas. Falavam tudo, mais do que nunca combinavam com a Yamanaka. Poderiam falar perfeitamente por ele também... seria especial e Shikamaru não teria trabalho nenhum. Sem preucupações de como dizer isso ou aquilo, ou com dúvidas de como agir... Flores eram a maneira mais prática e preguiçosa de expressar a afeição por alguém, de forma que igualmente combinavam com Nara Shikamaru. E ele foi tão burro de não perceber que a solução certa era ainda tão simples.

É melhor se arrepender por aquilo que a gente fez do que por aquilo que a gente não fez. O ditado nunca lhe pareceu tão conveniente. Talvez ainda houvesse como fazer a roda girar.

"Algum problema, Shikamaru? Ficou calado de repente..."

"Não, Sra. Yamanaka... Quer dizer... Preciso comprar uma flor. Aliás... três."

Quando Ino voltou pra casa, após um dia inteiro de conversa fiada com Sakura, não acreditou no que seus olhos viam sobre sua cama.

Era o arranjo de flores mais esquisito da história, entretanto, mais especial não havia para ela. Papoula, orquídea e uma formosa tulipa vermelha.

Sorriu.

Quem sabe ainda era tempo da vida continuar...

Fanfic retirada do site http://www.ffsol.org/portal/texto.php?idff=1455. Confiram.

 

Meus caros, agora me digam o que vocês acharam dessa linda fanfic na qual estrela a personagem de animê favorita deste blog, a Ino Yamanaka (ou Yamanaka Ino, para os que gostam de colocar o sobrenome antes). Fanfics são histórias fictícias feitas por fãs de determinado personagem, ou seriado ou programa, e que, é claro, esse personagem, ou seriado, ou programa aparece.

Coloquei-a aqui porque o eu estava lendo umas fanfics da Ino, achei esta e, como o Dia dos Namorados está próximo e a faz tempo que a nossa querida ninja não aprece no blog, pensei: por que não? Bem, até o próximo post!

By JuLiAnA HeLeNa      

1º de junho de 2006...

"Eu gosto de dizer
que eu não gosto de gostar
Que eu não quero abraços
e nem gosto de beijar
Eu gosto de dizer
que não preciso de ninguém
mas quem é que consegue viver sem...
...gostar de alguém"
Trecho da música "Gugu", feita pelo compositor Marcos César Valle e que estava na trilha sonora da Vila Sésamo brasileira dos anos 70. 


Não sei porque eu tive aquela idéia naquele dia distante. Bom, talvez nem tão distante assim, faz só dois anos.

Era dia de um aniversário. O aniversariante morava na Vila Sésamo, e naquela época eu já era apaixonada pela Vila Sésamo, vocês sabem disso.

Era de noite que eu escolhi um papel, e seria quando meu estojo não teria assim tanta paz. Bem, na verdade, parte do estojo teria paz, sim... os desafortunados seriam apenas o grafite (ou melhor dizendo, a lapiseira) e os lápis de cor.

E a caneta? Não, ela ficaria em paz também. Estava cansada devido às últimas provas e também eu não precisaria dela naquele momento.

A escrivanhinha era a cama. Óbvio que um caderno apoiaria a folha de papel enquanto eu preparasse a obra.

Qualquer personagem da Vila Sésamo iria adorar o desenho que eu alí preparava. Elmo, Garibaldo, Come-Come (será que no caso deste o "adorar" não estaria em outro sentido?), Grover, Zoe, Rosita... qualquer um! Porém, toda regra tem uma exceção, e é justamente essa exceção quem estava fazendo aniversário naquele dia.

Não, o desenho não estava ruim. Só o Elmo que eu coloquei num canto ficou com uma boca muito estranha, mas o resto estava de primeira. O que importaria não seria a qualidade do desenho, mas sim o fato de que aquilo era um desenho... feito com todo o carinho.

O personagem em questão se sentiria muito mais feliz se ganhasse uma folha de jornal velho, bem amassado e bem amarelado. Suja? Aí ele agradeceria por eu existir! Ele adora lixo. 

O aniversariante era o Gugu da Vila Sésamo.

Aliás, hoje é aniversário dele também. Afinal, este domingo por acaso não é um 1º de junho?

Certamente, ele não está comemorando a data. Rabugento que só ele, duvido que goste de festas de aniversário. Ele não deve gostar de bolo, de refrigerante, de salgadinhos, de brigadeiros...

Não deve gostar de mesas enfeitadas, de balões, de prendas, de colocar o rabinho no burro...

Pensando bem, ele pode até não gostar das festas dos outros, pois não são do jeito que ele gosta. Agora, tratando-se da festa dele, esta já poderia ser do jeito que ele quiser, não?

É, Gugu deve estar comemorando a data.

Mas do jeito dele.

Bolo de anchova (se o Gugu gosta de milkshake de anchova -eca!- porque ele não gostaria do bolo?) e copos quebrados. E, é claro, todos os rabugentos da Vila Sésamo comemorando com ele data tão especial.

Sim, porque há outros rabugentos na Vila Sésamo além do Gugu.

Sim, porque ninguém nesse mundo sobrevive sem um amigo, e os rabugentos não seriam a exceção, a não ser que eles também sejam a exceção dessa regra.

E os presentes? Se tem convidados, terá presentes. E olha que o Gugu tem muita sorte de assoprar velas em pleno junho, já que doze dias depois é o Dia dos Namorados e quem sabe ele não ganha algum brindezinho da Grungetta -é o amorzinho dele, para quem não sabe. Isso se o Gugu gostar de receber presentes.

E esse papo me fez voltar para o branco do papel que a turma de cores e traços logo desfigurará.

E para o branco do chão que, no fim de tudo isso, acaba sujo de raspa de borracha.

Acho que, no fundo, eu sabia o porquê de estar fazendo aquilo.

Apenas por admiração.

É. Foi por isso.

E o fato de que Gugu nunca fosse ver aquilo talvez fosse o meu alento. O desenho seria apenas um símbolo de um apreço antigo e muito bem zelado, não apenas pelo rabugento mas por toda a sua turma também.

E não tinha mesmo como eu mostrar meu presente para o Gugu. Teria que mandá-lo para os Estados Unidos, pois em 2006 a Vila Sésamo ainda não havia retornado às nossas televisões, e como eu faria isso? E agora, José?

E mesmo que eu o mandasse, jamais pararia nas mãos do Gugu porque ele é apenas o fruto da imaginação de alguém que decidiu em 1969 fazer um programa infantil.

Jamais pararia porque Gugu é apenas um boneco no qual uma outra pessoa mete-lhe as mãos para controlar-lhe as mãos a a boca. E bonecos não lêem, não vêem, não pensam... o manipulador o faz por eles.

E o manipulador não deve ser um rabugento: lá nos EUA, ele é o mesmo que entra numa fantasia emplumada e estende a mão para controlar um bico.

O Garibaldo não é rabugento.

Realmente... deixa... melhor assim. Já pensou se eu de repente aparecesse lá na Vila com o desenho em mãos? E me dirigisse direto à lixeira do Gugu. No mínimo ele só abriria a tampa e, sem me olhar direito, dispararia um "Caia fora!".

O Gugu é ótimo para receber visitas. Vai direto no ponto, como vocês puderam notar.

Deixa de ser irônica, JuJu!

Os únicos que viram o desenho foram apenas as pessoas que eu estimava. Levei-o ao colégio, inclusive, já que há dois anos o dia 1º de junho foi uma quinta-feira, se não me engano. Neste ano, é um domingo. Não tenho aula nos domingos.

Já é o segundo aniversário do Gugu da Vila Sésamo que esse desenho está entre outros papéis em algum canto daquele armário, protegido por uma folha em branco para a cor não contaminar as demais folhas.

Gugu jamais saberá, até porque ele não tem condições de saber.

Sem falar que, eu já disse, ele não iria gostar.           


Este é o tal desenho de aniversário do Gugu da Vila Sésamo.

Veja mais sobre o Gugu da Vila Sésamo em http://mycatblog.zip.net/arch2007-03-04_2007-03-10.html

By JuLiAnA HeLeNa

Speaking

 Vídeo em animação da Vila Sésamo americana no qual o alfabeto é mostrado de forma bem doce. 

Uma das minhas maiores insatisfações com o ensino de língua inglesa que deram para em todos esses anos foi o de ninguém ter me ensinado o ABC mode English. Mas o que é que tinha isso? Afinal, o alfabeto usado lá nos Estados Unidos ou na Inglaterra é igualzinho ao que nós usamos no Brasil, com a mínima diferença de que aqui o "k", o "w" e o "y" -por enquanto- não são, digamos, legalizados pela gramática portuguesa. Porém, há a questão da fonética: já pensou se você chegasse para um norte-americano e falasse algo do tipo "Look! Apple start by letter A!" e pronunciasse o "A" do jeito que se pronuncia no português?

Até porque, para eles, que falam inglês, "A" se pronuncia "ei", assim como o "I" se pronuncia "ai".

...

Eu comecei a estudar inglês já faz 9 anos, quando eu ingressei na 1º série do Ensino Fundamental. O primeiro assunto que eu me lembro de ter estudado em inglês foi sobre o this e o that, que, se não me engano, significam "este, esta, isto" e "esse, essa, isso", respectivamente. Acho até que, no livro, tinha até uma ilustração de uma professora apontando para umas bolas enormes para nos ajuda a compreender essa história.

Devido a esse fato, as primeiras frases que eu devo ter escrito em inglês eram algo como "This is a book" -mas também, essa é clássica! Nos meus cadernos de 96 folhas que eu usava na época (e que devem estar escondidos em algum canto daquele armário da escrivaninha... aquele armário que está precisando de uma limpeza faz uns mil anos) estão cheios de tarefinhas para casa repletos de frasesinhas do tipo exigindo tradução. Naquela época, colocavam para nós inúmeros exercícios com o objetivo de traduzir frases, não sei porque agora, no Ensino Médio, já não fazem mais isso...

Durante o meu Fundamental Menor, o inglês só foi indo na minha vida que nem um passageiro de ônibus: ele entra, paga direitinho ao cobrador e se acomoda em algum canto, enquanto você dirige o veículo e prossegue com o passeio. Era uma matéria bacana, eu tirava notas boas nela, mas que só existia quando o professor entrava na sala ou quando eu abria o livro a fim de me preparar para o próximo exercício. O livro de inglês que primeiro entrou na minha vida foi o "Hello!". Sim, o "Hello!". Aquele que tinha aquela família bem no estilo americano -pai, mãe, irmã mais velha, irmão do meio, o bebê e o cachorro- e mais alguns outros. Quando cheguei na 3º série, o novo passageiro da minha mochila foi o "Show and Tell", que já era mais concentrado no ambiente de uma sala de aula no que diz respeito aos personagens do livro. Eu até me lembro que esse livro começava mostrando as carteiras estudantis do alunos que estrelavam os quadrinhos do início de cada capítulo.

O foco era traçar um perfil do usuário do livro. Na parte de exercícios, denominada "Student Book", tinha uma carteira que era para o estudante prencher... hehehe... Oh! Despulpem-me o riso, é que uma dos termos do "documento" era "You like..." (Você gosta de...) e um outro era "You don't like/ You dislike..." (Você não gosta de...). Vocês acham que uma coisa como uma carteirinha do tipo, nos tempos atuais, vai querer saber do que você gosta? E olha que gostos não são imutáveis...

Talvez o que faltasse para que a minha relação com a língua inglesa se tornasse mais amistosa fosse uma aproximação maior, um contato mais impessoal. Durante todo o meu Ensino Fundamental Menor e durante a 5º série, as únicas vezes que eu lidava com o inglês era quando a situação dizia respeito ao ensino-aprendizado proporcionado pelo colégio. Isso mudou quando eu conheci a Vila Sésamo.

EI, EI, EI, EEEEEEEEEEEEIIIIIIII!!! O que a Vila Sésamo tem a ver com isso, hein? Aposto que quando você comprou aquelas fitas do Garibaldo & CIA elas não acrescentaram em nada no seu aprendizado de inglês, não foi, sua blogueirazinha com mania de colocar Vila Sésamo em tudo???

Calma aí... deixa eu explicar, né... (até suei frio com essa confusão toda...) Está certo que, num primeiro momento, o programa de bonecos não poderia me oferecer nada quanto a isso. Só que no momento em que eu saquei que aquele era um programa norte-americano e que não havia outra maneira de saber mais sobre aqueles explêndidos fantoches que não fosse encarar os textos estrangeiros, eu finalmente tive essa aproximação. Foi um tempo no qual eu sempre, ao usar o computador, acabava encarando algo em inglês.

Eis aí o desafio, proucurar compreender. Munida do que eu já sabia, fiquei espremendo aquelas laranjas que caíam nas minhas mãos. Mais tarde decidi tentar usar o tradutor do Google... e, gente, aquilo dava no mesmo. Inclusive tenho aqui uma listagem sobre o Garibaldo que tirei de um texto em que houve o uso do tradutor. O título ficou "Para até nós uma criança é pássaro". Pela frase original, que acho que já não está mais disponível por estas bandas, o que o título queria dizer não era bem isso. Quer ver? Coloque o "até" antes do "para" e troque de lugar o "criança" e o "pássaro". Agora você terá a tradução correta!

Na 5º e na 6º série os meus livros de inglês pertenciam à série "The New Password". Eram mais uma vez com diálogos de personagens fixos que convivem numa sala de aula, inclusive a personagem principal era uma brasileira que resolveu estudar no exterior. Posso até dizer, sem nenhuma modéstia, que eram livros bons. Quando cheguei na 7º, o "Hello!" voltou... é claro que já não era o mesmo que me acompanhou nos meus primeiros passos no estudo de uma língua diferente -quer uma diferença? O desenhista dos personagens do livro mudou. Sem falar que, a essa altura, eu já estava num nível mais alto.

Aliás, foi na 7º série que comecei a ter outra queixa em relação ao ensino de inglês: olhei o livro e vi que nesse ano eu iria aprender a conjugar verbos no passado e no futuro, além de fazer frases que exigissem comparações e ter um primeiro contato com modais que não fossem o "can" (ou será que este último eu só aprenderia na 8º?). Tudo bem, a não ser por uma coisa... Por que só agora??? Não achei justo que eu tivesse passado a maior parte dos meus estudos de inglês só conjugando verbos no presente e aprendendo significados de algumas palavras. No português e até mesmo no espanhol eu tive como assunto todos os tipos de conjugação num ano só, por que não poderia ser assim no inglês?

Inclusive, falei dessa minha inquietação para o meu atual professor de inglês num dia desses. Segundo ele, é porque aproveita-se quando ainda somos crianças para captarmos as lições mais elementares, e as coisas mais, teoricamente, complicadas para depois. Bom, é a opinião dele, mas a mim não convenceu muito na hora.

Quando o livro "Hello!" já estava uma vez mais sob a minha escrivaninha, minha empolgação em relação ao inglês já era grande e, prevendo o que iria acontecer com a matéria de Ciências (esta última foi minha matéria favorita até a 8º série, quando ela se dividiu na Química e na Física), resolvi investir nessa minha mais nova menina dos olhos. E, como naquela época, eu já era uma fã em potencial da Vila Sésamo, o resultado foi isto:

(...) Mas lembre-se: isto é para ajudar-lhe a aprender inglês, e não para ver historinhas.

Elmo: What were you doing?
Zoe: I was caressing the cat. It is lonely!
Elmo: Elmo has a great idea! We are going to adopt the cat!
Zoe: Elmo, that is a really great idea.
Elmo: Elmo is going to arrange the things for the cat.
Zoe: I'm not going to wait. I have to go for my house.
Elmo: It's OK, Zoe. Bye!

Trecho do texto "Gato no inglês", feito dia 22 de fevereiro de 2005, retirado do meu antigo diário C.F.

Veja agora este outro texto.

No diálogo, Elmo esbarra no Garibaldo e todas as coisas compradas na pet shop caem. (...)

Big Bird: Oh, sorry! I don't see you.
Elmo: It's OK, Big Bird. It's OK.
Big Bird: What is that things?
Elmo: Elmo went in the pet shop.
Big Bird: What did you do?
Elmo: Elmo bought that things because Elmo is going to adopt a cat.
Big Bird: Did you adopt a cat?
Elmo: Yes, Elmo did... No! But Elmo is going to adopt. Sorry!
Big Bird: And the cat?
Elmo: Elmo and Zoe met in the sidewalk of this street.
Big Bird: How is the cat?
Elmo: The cat is white and have blue eyes!
Big Bird: Did you talk with the other friends about that?
Elmo: Elmo talked with Zoe and you about that only.
(...)

Trecho do texto "The cat finded your chance", feito dia 6 de abril de 2005, retirado do meu antigo diário C.F.

Bem, a minha 7º série coincidiu com a época em que eu escrevia o meu diário C.F., e eu, vendo que iria aprender coisas novas, resolvi que toda vez que o professor passasse um assunto novo eu colocaria no C.F. um diálogo em inglês entre dois personagens da Vila Sésamo em que eles utilizassem em suas falas o assunto abordado. Após tecer a "conversação", ainda colocava um quadro, se necessário, explicando o assunto. Como eu não "me esqueci" do pobrezinho do C.F. muito antes que chegasse o final do ano, só deu para fazer três textos desse tipo.

Antes que seja tarde, vou me desculpando logo se houver algum erro nos textos colocados acima. Eu os escrevi aqui do jeito que estavam escritos no C.F.

Atualmente, meu livro de inglês é o "Insight". É um bom livro também, mas já não há mais os personagens fixos e todas as regras gramaticais são nos jogadas sem maiores esclarecimentos. Também, já somos estudantes de Ensino Médio, não é? E já que o tradutor do Google é uma coisa terrível, pretendo traduzir alguns textos em inglês que eu encontrar por aí pelo ciberespaço. Porém, para tal missão pretendo antes comprar um dicionário novo para mim, de preferência um que se chama "Password" (não confundam com o livro do qual falei anteriormente), que me foi recomendado pelo meu professor e é considerado um dos melhores dicionários de lingua inglesa já existentes. Eu quero traduzir direitinho os textos e o dicionário que eu uso atualmente já está bem velho e andou me dando umas decepções... Por exemplo, quando eu fui proucurar a palavra "mosquito"... Adivinhem o que aconteceu.

Agora, se me dão licença, vou arrumar minha bolsa para a minhas aulas de amanhã... deveria ter feito isso no sábado... Não, eu não tenho aula de inglês nas segundas, é só nas quintas. No entanto, tenho aula de espanhol, e pelo menos essa matéria teve a consideração de me ensinar o seu modo de falar o alfabeto ainda na 8º série, quando comecei a ter aulas dessa língua. Não que eu ache espanhol mais fácil. Como vocês já devem ter percebido, me dou melhor com inglês.

By JuLiAnA HeLeNa     

Isso vocês não vão encontrar nos livros de Literatura!

...

A PRODUÇÃO LITERÁRIA DA PRIMEIRA ROMANCISTA AFRO-BRASILEIRA ROMPE O ESQUECIMENTO

A partir da edição fac-similar do romance, em 1975, preparada por Horácio de Almeida; da 3° edição do prefácio de Charles Martin, em 1988, e a publicação da 4° edição, em 2004, pela Editora Mulheres e PUCMinas, Úrsula, de Maria Firmina dos Reis, vem sendo objeto de estudos em artigos, dissertações e teses. No Piauí, a pesquisadora Dra. Algemira de Macedo Mendes, professora de Letras e Literatura da UESPI e UEMA, defendeu sua tese de doutorado sobre a escritora negra que nasceu em São Luís, no Maranhão, em 11 de outubro de 1825. Autodidata, Maria Firmina dos Reis nunca freqüentou a escola. Em 1859, escreveu o romance Úrsula, primeiro escrito por uma brasileira descendente de africanos. Foi colaboradora em vários jornais maranhenses com artigos, crônicas e poesias. Compôs músicas clássicas e populares, e, assim, destacou-se no romance, na poesia, no conto, na música popular e erudita, nos enigmas, nas charadas, em jornais da época.

A tese da pesquisadora, defendida pela Pontificia Universidade Católica do Rio Grande do Sul - PUCRS, em 2006, tem como título "Maria Firmina dos Reis e Amélia Beviláqua da Literatura Brasileira". A prof. Algemira Macedo revela um pouco da vida e faz uma representação das obras mais importantes das duas escritoras, sendo que Amélia Beviláqua é considerada a primeira escritora piauiense; apesar de Amélia não ser descendente de africanos ou negros, como Maria Firmina, fica evidenciado o papel de exclusão em que vivia a mulher dos séculos XIX e XX.

Tendo como foco rastrear as escritoras na historiografia literária brasileira, os poucos achados que obteve sobre Maria Firmina dos Reis estavam cercados de equívocos. "A Maria Firmina era contemporânea de Gonçalves Dias e somente de uns poucos anos pra cá, o historiador maranhense Nascimento de Moraes encontrou, por acaso, o livro Úrsula, na Biblioteca Pública Benedito Leite, em São Luís, Maranhão. Até o momento, é o primeiro romance afrodescendente brasileiro. Logo depois, Moraes foi buscar informações sobre a autora e não encontrava.

Mais tarde, descobriram-se mais duas obras perdidas de Maria Firmina, nos porões da mesma biblioteca, Gupeva (1861) e Cantos à Beira Mar (1871), publicadas em forma de folhetins nos jornais maranhenses, fato comum entre os escritores anteriores ao século XX. Quanto à polêmica que existe sobre Maria Firmina ser ou não ser a primeira escritora negra do país, a professora aponta que "Margarida Aorta, anterior a Maria Firmina, nasceu no Brasil e com seis meses foi para Portugal. Lá, Margarida escreveu uma obra e por isso alguns defendem que seja ela. Mas brasileira, nascida e que viveu aqui no país, Maria Firmina foi a primeira a escrever um romance; e com a temática afrodescendente também foi a primeira".

"Hoje discute-se cotas para negros. Maria Firmina já escrevia em meados de 1800. O que Castro Alves escreveu em 'Vozes da África', quando ele defende os escravos, Maria Firmina fez primeiro; no entanto, Castro Alves é que é considerado o poeta dos escravos. Por isso, ela não é apenas uma escritora brasileira, mas universal, por estar à frente de seu tempo"

"Ela tratou bastante da questão da escravidão, das minorias. Com Úrsula, ela anseia por uma pátria sem preconceitos e sem castas, uma pátria em que se atenuam as diferenças de classes. Hoje discute-se cotas para negros. Maria Firmina já escrevia em meados de 1800. O que Castro Alves escreveu em 'Vozes da África', quando ele defende os escravos, Maria Firmina fez primeiro; no entanto, Castro Alves é que é considerado o poeta dos escravos. Por isso, ela não é apenas uma escritora brasileira, mas universal, por estar à frente de seu tempo", considera a pesquisadora.

"Apesar de estar inserida numa sociedade patriarcalista, a escritora mencionava assuntos negados por autores do seu tempo e revelava uma veia abolicionista, articulada com o contexto das relações econômicas, sociais e culturais da época. Hoje, se alguém ler Úrsula terá uma narrativa da atualidade", relata a Dra. Algemira de Macedo, ressaltando que não é apenas a obra de Maria Firmina que faz com que ela se destaque das suas contemporâneas. Sua vida também é repleta de fatos que demonstram que ela era possuidora de conhecimentos e de consciência política e social fora dos padrões estabelecidos pela sociedade interioriana e escravocrata do século XIX. Em 1847, após passar em um concurso público para professora primária, a escritora tornou-se a primeira Mestra Régia da pequena Vila de Guimarães.

O estudo mostra que, apesar de nunca ter freqüentado uma escola, a autora de Úrsula lia bastante e escrevia francês fluentemente. Aposentou-se em 1881. Um ano antes, fundou a primeira escola mista no Maranhão, uma vez que, naquele tempo, meninos, em sua grande maioria, eram os que tinham direito de estudar, separados das meninas. Maria Firmina faleceu em 11 de novembro de 1917, aos 92 anos, cega, pobre e sem nenhuma honraria. "Em um contexto em que poucas mulheres eram alfabetizadas, Maria Firmina dos Reis é uma exceção do cenário literário. O negro então era marginalizado e alvo tão somente de adjetivos relacionados à negatividade. Esses são alguns dos motivos que levaram a autora a ficar no esquecimento por mais de cem anos", considera.

Porém, graças às pesquisas como a de Algemira, a escritora foi retirada do esquecimento que a história impôs aos afrodescendentes brasileiros importantes. Em 11 de outubro de 1975, por ocasião do sequicentenário de nascimento da escritora, Nascimento de Moraes Filho publicou o livro Maria Firmina dos Reis - fragmentos de uma vida. A coletânea é composta de hinos, letras de músicas, contos, vários poemas, fragmentos de um diário e artigos de jornais. Já o estudo de Macedo retrata que aos poucos a maranhense foi tendo o devido reconhecimento, especialmente em São Luís, onde foi homenageada, sendo seu nome dado à rua e à colégio, e um selo comemorativo foi lançado pelos correios. Um busto de bronze foi erigido na Praça do Pantheon, em frente à Biblioteca Pública Benedito Leite, junto aos bustos de intelectuais maranhenses, como Gonçalves Dias, Josué Montello, Graça Aranha, Aluízio Azevedo, entre outros. O dia 11 de outubro também passou a ser o Dia da Mulher Maranhense, em homenagem à escritora.      

Texto retirado da edição nº 15, ano V, março de 2008, da revista "Sapiência", página 12.

O Sagradíssimo da Birmânia

Hoje é Dia das Mães, não é? Ebaaaaaaa!!!... Só que esta mamãezinha aqui está um tanto desleixada com seus filhinhos gatinhos. Vejam só: ultimamente, quando neste blog se fala sobre gatos, é porque o post é algum conto do Mr. Flynn Frisól. Isso não é justo, é preciso honrar o "Cat" do nome!


Um legítimo gato da raça Sagrado da Birmânia. Que lindo, não acham?

"As origens do gato Sagrado da Birmânia são até hoje misteriosas. Segundo Simone Poirier, eminente especialista nessa raça, presume-se que os primeiros indivíduos tenham sido resultado do acasalamento entre um siamês com manchas brancas nas patas e um gato de pêlo longo em 1923. Pouco tempo depois, em 1926, a raça dos "gatos da Birmânia" foi exibida pela primeira vez na Exposição Felina Internacional organizada em Paris pelo Cat Club da França e da Bélgica. Entre os três animais apresentados, a gata Poupée de Madalpour é considerada um dos ancestrais mais marcantes da raça. Acompanhando sua aparição, surgiram histórias rocambolescas a respeito de suas origens e de sua introdução na Europa. Uma romancista da época, Marcelle Adam, chegou a criar a encantadora lenda de Sinh, um gato sagrado de olhos de safira pertencente ao templo da deusa Tsun-Kyanksé, adorada pelos khmers do Camboja."

Esse parágrafo que vocês acabaram de ler foi retirado da página 125 do livro "Larousse dos Gatos", que eu ganhei ano passado, na minha festa de 15 anos. Acho que nem preciso mais apresentar o nosso "assunto" Sagrado da Birmânia, que algumas pessoas gostam de chamar de birmanês também.

Já conheço essa raça de gatos há muito tempo, minha gente. Na época em que eu fanaticamente pesquisava sobre gatos, um dos primeiros assuntos do qual eu corri atrás foram as raças, e entre elas, lá estava ele, logo no primeiro site. O gato Sagrado da Birmânia é, sem dúvida, um indivíduo muito bonito, embora um tanto... digamos... clichê. Clichê devido à sua pelagem em point e os olhos azulérrimos, que nem a do siamês. Mas graças a Deus é só isso, pois de resto ele é ímpar. Está certo que ele parece um himalaio, raça esta que combina a pelagem longa do gato persa com as extremidades escuras dos felídeos de Sião. No entanto, veja só com a pelagem do Sagrado é curta nas pernas e no rosto, para depois alongar-se pela extensão do corpo! Sem falar das luvinhas, ponto importantíssimo para se reconhecer um gato dessa raça.

Luvinhas? Os gatos dessa raça tem como característica fundamental a despigmentação da pontinha da patas (ou seja, os dedos), que se torna branca ao invés de continuar escura. O que fica é um contraste excepcional! Esse detalhe é tão importante para um Sagrado da Birmânia que se o gato tiver algum defeitinho nas ditas luvinhas, ele torna-se desqualificado para exposições.

Apesar de toda a beleza dessa raça, confesso que o que é de impressionar mesmo é a história da origem do Sagrado. É verdade que não passa de uma grande lorota (por isso, não acreditem) e que o que ocorreu de verdade foi que produziu a raça através de cruzamentos e depois a apresentou para o mundo. Porém... digo que a essa história -a fictícia- vence até daquela outra que diz que os gatos de raça Manx se isolaram numa ilha porque um navio cheio deles afundou. Bem, é claro que vamos conhecer a "lenda de Sinh", como disse o "Larousse...", do jeito que só este blog poderia contar. E vocês vão se impressionar com a narrativa, juro.

Lá em alguma região montanhosa daquelas áreas asiáticas, havia um templo, o Lao-Tsun, dedicado à deusa da reencarnação, cujo nome -vocês já sabem- é Tsun-kyanksé. No templo, que tinha também o seu lado de mosteiro, viviam um monte de monges. Pois é: era lá onde eles comiam, dormiam, faziam suas tarefas domésticas (cuidado para não deixar a geladeira aberta!) e, principalmente, rezavam. O chefe de todos esses monges era um certo Mun-Há, um cara bem velhinho e com uma barba daquele tamanho...

É claro que viverem sozinhos naquele lugar não dá! E é por isso que eles resolveram criar bichinhos de estimação. Adivinhem que bichinhos eram esses!... É claro que eram gatos, está mais do que evidente. Eram os ditos gatos sagrados do templo, que também comiam, dormiam, fazia tarefinhas e rezavam muito, do mesmo jeito que os monges. E o chefe Mun-Há tinha o seu gato particular, que era quem? O Sinh, gato branco de olhos cor de âmbar -mais ou menos do mesmo jeito que o meu gato Flynn é.

E se Mun-Há era o manda-chuva de todos os monges que moravam naquele templo, então por que Sinh não poderia ser a mesma coisa em relação aos gatos que também alí viviam? Ah... isso é que é influência, hein!

Tudo ia às mil maravilhas no templo, e a vidinha seguia em frente, sempre igualzinha, em meio a tantas rezas para a deusa, vindas tanto dos monges quanto dos gatos. E parecia que tudo iria continuar assim até que uns salafrários, que podemos também chamar carinhosamente de saqueadores, traçaram o seguinte plano: Entrariam lá, pegariam tudo e matariam todo mundo. E já que era assim, resolveram não perder tempo e foram lá atacar.

Imaginem o susto dos monges ao darem de cara com aquele bando de ladrões tentando arrombar a porta da frente de qualquer jeito, usando até máquina de passar roupa (aí já é exagero, gente, não faz parte da história). A única coisa que todos alí dentro, religiosos e bichanos, pensaram para se defender foi em se prensarem contra a porta para impedir que a mesma ceda. Todos, menos Mun-Há: ele, como bom monge que é, ficou apenas prostrado, de joelhos, em frente a deusa, rezando e rezando.

Num dado momento, enquanto rezava, Mun-Há simplesmente... morreu. É, no meio da reza. Bateu as botas! Simples assim... Sinceramente, aquela era uma péssima hora para ele, logo ele, partir para o além. Constatada a morte de seu líder, os monges começaram a se sentir desencorajados e enfraquecidos, e estavam às vias de deixar os saqueadores arrombar a porta. Sinh, o gato de Mun-Há, abandonou a porta e foi ao pé da deusa chorar pelo morto. O bichano chorou a ponto do vermelhidão dos olhos ofuscar-lhe a brilhante íris ambarada, miou pela dor da perda até a garganta não suportar mais. Bem, cá não estamos para julgar o modo pelo qual Sinh reage a esse tipo de perda, não é? Após tanto chorar e miar, Sinh se colocou em cima da cabeça de Mun-Há, simplesmente olhou para a deusa a sua frente e começou a rezar pela alma de seu mestre.

Tsun-Kyanksé, a deusa da reencarnação, era também muito conhecida como a deusa dos olhos de safira. Ela viu aquele pobre gato entristecido, que acabara de passar por aquele momento difícil, e viu os monges lá na porta, e os salafrários praticamente quase entrando. Ela não poderia deixar de ficar comovida com tudo aquilo, principalmente em relação a Sinh. E foi aí que a coisa incrível aconteceu...

Você aí! Chama o cara dos efeitos especiais! Vou precisar aqui!

Foi assim: Primeiro apareceu aquela luz azulada, e forte. Aí depois foi o vento, tipo redemoinho... E os monges vendo tudo aquilo, ainda encostados na porta, com os cabelos ao sabor da ventania e os braços tentando proteger os olhos da iluminação. E aí o Sinh começou a levitar, e foi levitando até chegar à altura dos olhos da deusa, que brilhavam intensamente. Depois foi o próprio Sinh que começou a brilhar, suspenso no ar. E chegou então o momento mais emocionante de toda essa história! O gato, antes totalmente branco, começou então a deixar de brilhar... As primeiras partes do corpo do gato que deixaram de emitir luz foram o rosto e o rabo, que agora estavam... estavam com o pêlo escuro! E o corpo foi progressisvamente deixando de brilhar, revelando um novo tom levemente dourado. E, enfim, chegou a vez das patas, que pareciam ficar com a mesma cor das outras extremidades, mas quando o "apagão" alcançou os dedos e sola do pé, estes revelaram-se brancos. Puramente brancos!

Diante do olhar assustado dos monges e do queixo caído dos mesmos, Sinh, desfalecido, tornou ao chão, lentamente. Já de volta à cabeça do falecido Mun-Há, o gato não tardou a acordar... e aí veio mais uma surpresa! Eis que ele, ainda um pouco tonto, abriu os olhos e... eles estavam azuis! Tão azuis quanto as safiras, e quanto os olhos da deusa!

Esse milagre, evidentemente, fez os monges reagirem! Também, diante de tamanha demonstração de que a deusa estava com eles, todos se afastaram da porta e foram pegar tudo que poderiam usar contra os invasores. Pensem na cena: as portas finalmente se abrem, e quando os salafrários, ávidos para iniciar o saque, vão atacar... aí surgem aquele monte de monges armados para cima deles! Se houve um enfrentamento, eu não sei. Aliás, imagino que os ladrões eram tão covardes, mas tão covardes, que saíram correndo (e gritando) pelas montanhas e com os monges o tempo todo atrás deles! Só de pensar dá vontade de rir.

E assim o templo da deusa Tsun-Kyanksé foi salvo!

Mesmo que a paz e a tranqüilidade tivessem voltado ao lugar, a vida alí jamais seria a mesma: Mun-Há havia morrido, é certo. Sinh fora tão atingido pela perda que acabou deprimido. Deixou de miar, deixou de andar por aí, recusou-se até a comer e a beber. E não saía de cima da cabeça do cadáver. Em volta do belo bichano ficou uma crosta de tristeza e abatimento. A situação chegou a tal ponto que, no fim de uma semana, Sinh não agüentou mais sustentar o corpo sobre as patas e caiu num sono profundo, do qual nunca mais tornaria a acordar. Só aí se pode providenciar um enterro para o mestre, e para o seu gato.

Uma semana após a morte de Sinh, os monges começaram a se debruçar no abacaxi que tinham para descascar. Era preciso escolher um novo chefe, os monges não podiam ficar sem uma liderança! Só que, mesmo sob votação, era difícil escolher, todos se julgavam incapacitados para ocupar o papel tão brilhantemente desempenhado por Mun-Há. Mas, sabem, o que aqueles religiosos não esperavam é que, mais uma vez, a deusa iria lhes dar uma decisiva mãozinha...

Ei!!! Chama o cara dos efeitos especiais aqui de novo! E rápido!

De repente, veio um clarão daqueles. Vinha justamente de onde estava a deusa! Os monges, assustados e provavelmente pensando que o templo iria se invadido de novo, se levantaram e correram até lá. Porém, antes mesmo que chegassem na sala, todos os gatos do templo apareceram e cercaram os religiosos. Detalhe: eles, os bichanos, agora estavam com o pêlo levemente dourado e as estremidades escuras, com exceção das patas, que ficaram brancas! Ou seja, passaram por aquela mesma transformação de Sinh, incrível! E não f